Quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

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Quando o Senhor permite
06-09-2010 18:55 | Eduardo de Fátima Silvestre

QUANDO O SENHOR PERMITE

05.09.2009: Cinco de setembro de 2009, me lembro bem desse dia, em que saí da minha cidade, disposto a mudar de vida. Deixei os amigos de bagunça, de golo, etc...
Eu saí de Senhora dos Remédios a procura de uma vida, pois eu já me sentia morto espiritualmente, moralmente e fisicamente também. Vim na certeza de que alguém me ajudaria... eu sentia isso!
Eu já estava cansado de nadar, nadar e ficar só na areia, de caminhar sempre caindo... porque ninguém caminha olhando para trás – só hoje sei disso, e que bom que eu sei!
Deixei para trás um amor de 15 anos, um amor doentio. Quanto mais eu amava, mais ela me destruía, mas eu achava bom mesmo assim. Eu já não estava mais dando conta desse amor, e, por auxílio, conselhos, brigas, choros de alguns que se diziam meus amigos e que também diziam me amar, resolvi vir atrás de algo ou alguém que me fizesse esquecer a cachaça.
Sofri... chorei... quase morri! Nunca havia pensado que seria tão difícil. Onde eu me encontrava, eu ainda a queria, a desejava, mas não a tinha mais.
Me lembrava das noitadas em que só ela era a minha companheira, pois os que se diziam meus amigos já haviam me abandonado, e nem sequer me cumprimentavam na rua. Eles tinham vergonha, pois eu andava sujo; tinham nojo, pois eu fedia.
Eu já não tinha mais sonhos, pois até de viver eu estava desistindo.
Até que um dia em que eu estava me sentindo abandonado, por tudo e por todos, chegou alguém perto de mim... eu não dei muita ideia, mas a pessoa insistiu: “Olha para mim, por favor, deixa eu tomar conta de você?”
Continuei sem dar ouvidos, pois era época de eleição e poderia ser mais uma falsa promessa. Continuei apaixonado pela cachaça, e foi preciso chegar até o fundo para eu poder aceitar que, se não deixasse alguém me ajudar, seria mesmo o fim... o meu fim!
E somente hoje, depois de tudo o que estou vivendo, posso assegurar sem medo que foram anjos que o Senhor mandou através de duas amigas, para me ajudar no inferno que eu vivia, pois eu já me encontrava na mansão dos mortos. Anjos chamados Ester e Marcilene.
Me lembro também que na minha despedida alguém me disse: “Você vai sair daqui, de Senhora dos Remédios, para procurar remédio em Ouro Preto, Lírios do Campo... não vou nem perder tempo em me despedir de você, pois amanhã mesmo eu vou te ver.”
Senti uma tristeza enorme!
Mas o que sinto hoje é maior que aquela tristeza, sinto um novo amor, e esse amor me diz que a própria Senhora dos Remédios foi a minha companhia para chegar até aqui, na Comunidade Lírios do Campo, e atuou através das pessoas de minhas amigas Ester e Marcilene, através das mãos do motorista, de meu primo Pedro, e Jesus, o meu novo amor, na pessoa do Padre Denival. Não foi um “amigo” de boteco que me disse isso, foi algo divino, vindo do Espírito Santo, inspirado pelo Espírito Santo.
É uma felicidade imensa olhar hoje para trás e ver que eu estou conseguindo. Já faz um ano e essa felicidade não é só por fazer um ano de caminhada... não! É por estar caminhando e vencendo em Deus e com Deus. É por saber que eu não estou mais sozinho, pois hoje eu posso contar com a ajuda de tantos e estes não podem ser chamados apenas de “amigos”, porque são irmãos, pais, mães, na verdade uma família... A MINHA FAMÍLIA LÍRIOS DO CAMPO!
É nela que me seguro quando estou triste, abatido, chateado... algumas vezes me sentindo quase no chão. Aí eu me lembro da minha família, porque é ela, acompanhada da Mãe dos Lírios do Campo, que me segura pelo braço e me ergue novamente.
Quero agradecer primeiro a Deus e depois a vocês, Marcilene, Ester, Pedro e Padre Denival. Mais ainda a vocês que me acolheram: Juscelino, Rita, D. Inês, Claudiney, Léo, Adilson e, sem dúvida alguma, aos meus irmãos Lírios do Campo que são também a minha força e companhia, responsáveis por tudo o que eu vivo hoje, dia após dia!
A vocês, desejo que o coração de nossa Mãe dos Lírios do Campo seja sempre o abrigo de todos e que o nosso coração seja sempre o abrigo de Jesus, sempre lembrando de suas palavras:
“Coragem, Eu venci a morte.”


Eduardo de Fátima Silvestre
Lírios do Campo,
Ouro Preto/MG
05.09.2010
 

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